segunda-feira, 25 de maio de 2009

ANSIEDADE ARTÍSTICA

Em todos os cursos e oficinas de desenho, mangá ou quadrinhos com os quais trabalhei até hoje, vejo um mesmo erro se repetir infinitamente: a pressa no resultado final.

Desenhistas profissionais fazem esboços preliminares até chegar a um que agrade. Depois, trabalham melhor o desenho até uma forma mais refinada. Somente então entra a finalização, que pode ser feita com canetas, pincéis, bico-de-pena, ou até canetas de mesas digitalizadoras. Finalmente, as marcas do esboço são apagadas e o desenho pode ir para uma etapa seguinte de colorização, aplicação de efeitos, letras ou diagramação. Mas o iniciante quase sempre quer que seu desenho à lápis seja feito de traço único, imitando a linha precisa de uma caneta, sem qualquer esboço previo.

Quer copiar em meia hora o que um profissional levou horas elaborando. Ou quer que sua criação tenha o mesmo nível de acabamento. E muitas vezes, ele enxerga assim. E custa a aceitar que o esboço é uma etapa quase inevitável para desenvolver melhor seu trabalho.

Normalmente, uso metáforas pra explicar por quê não adianta ter pressa. Pra quem gosta de esporte, pergunto se é possível um aluno de karatê querer quebrar 10 tijolos com a mão na primeira ou segunda aula. Ou se alguém que está aprendendo a nadar pode, antes de aprender a dar braçadas fortes na piscina, dar um salto ornamental do trampolim olímpico. Se o aluno estuda ou estudou música (como guitarra ou violão), pergunto se apenas com algumas poucas aulas é possível tocar como o Eric Clapton. Todos entendem esses exemplos, mas enxergam o desenho de forma diferente. "Ah, eu desenho assim porque é o meu jeito, o meu estilo." - pensam muitos, fechando as portas da mente para um aprendizado mais consistente.

A maioria dos alunos tem preguiça de pensar, querendo resolver a ideia logo no primeiro esboço. E depois querem finalizar o desenho de cara, ansiosos por ver logo o resultado. O desenho não vai melhorar enquanto o senso de observação não ficar mais aguçado e o aluno ficar mais exigente com o resultado. Mas isso só quem adquire alguma humildade e tem força de vontade vai entender e assimilar.

Lutar contra a própria ansiedade é algo que muitas vezes separa o artista promissor daquele que vai parar no tempo. E é dever de cada professor fazer o aluno entender que o desenho exige disciplina e humildade para realmente progredir. Como tudo na vida.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

OS QUADRINHOS E O PRECONCEITO DA SOCIEDADE

Ontem, o governador de SP, José Serra, (PSDB) declarou que o álbum de HQ "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" (Ed. Via Lettera) é de "muito mau gosto" por conter palavrões e temas sexuais. A notícia repercutiu e foi tema ontem na TV Globo, na Folha de São Paulo, na rádio CBN e em quase toda a mídia. A HQ foi comprada pelo governo para ser distribuída a alunos da terceira série do ensino fundamental, com 8 anos em média.

Tudo foi um enorme mal-entendido e fruto de total desconhecimento sobre o que foi comprado. O trabalho, de qualidade e cheio de méritos artísticos, NÃO foi feito para crianças. É aquele velho problema com o qual os profissionais e leitores de longa data sempre se deparam: a maioria da sociedade sempre vai achar que HQ é coisa pra criança. Aí, alguém que gosta de HQ lá no governo indica a compra de alguns títulos pra distribuição em escolas e bibliotecas infanto-juvenis, mas não checa direito o conteúdo.

Do outro lado, quem vende deveria ser informado qual o público-alvo que vai receber o material. Ora, se fosse para alunos do colegial, problema nenhum haveria. Só fazendo um paralelo com outras mídias que não sofrem de preconceito, imaginem se o governo comprasse o filme Carandiru e distribuísse a crianças de 7 anos. Não preciso falar mais nada, não é?

Acho que os profissionais de HQ vão passar o resto da vida (e as gerações seguintes) eternamente tendo que explicar aos não-iniciados algo que é óbvio no Japão, EUA, França, Inglaterra, Portugal, Argentina e demais países cujo povo lê muito: Histórias em quadrinhos não são leitura somente para crianças. Existem quadrinhos de todo tipo e para todo tipo de público, assim como o cinema, teatro, música e qualquer outra mídia.


Finalizando, a ACB - Associação de Cartunistas do Brasil publicou ainda ontem uma nota falando sobre o caso, nota esta que reproduzo abaixo:

ASSOCIAÇÃO DOS CARTUNISTAS DO BRASIL – ACB

Rua Lourenço Rodrigues Souza, 174 – São paulo/SP – CEP 02760-050 – Tel 011 3851 5221

www.hqmix.com.brhqmix@hqmix.com.br

Sobre reportagens a respeito do livro “Dez na área, um na banheira e nenhum no gol” da Editora Via Lettera.

Hoje, dia 19 de maio, na mídia, houve a repercussão de uma matéria sobre o mau uso do livro de quadrinhos acima citado onde vários autores importantes da área desenharam sobre o tema futebol.

O livro, premiado e trazendo desenhistas também premiados, inclusive fora do Brasil, foi mostrado como material de linguagem chula e arte sexista imprópria para distribuição para crianças da rede pública de ensino como material paradidático.

A Associação dos Cartunistas do Brasil, que vem participando por anos da luta pelo reconhecimento do autor brasileiro na área dos quadrinhos e humor gráfico, não pode deixar de dizer que as informações colocadas, dessa forma na mídia, podem depor contra um trabalho sério nas escolas de utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura e cultura nacional.

Fica evidente que houve um descuido de quem escolheu esse título para distribuição para o ensino básico, mas não se pode dizer que os artistas estão deturpando algo como fica a impressão das matérias. Uma criança de 9 anos assiste ao futebol com o pai, que não deve economizar em seu linguajar diante da emoção que o esporte exerce sobre seus torcedores. As transmissões de futebol não conseguem evitar o som dos palavrões cantarolados pelas torcidas. Portanto não é criação dos desenhistas a linguagem chula, mas simplesmente estão colocando o que todos vêem num jogo de futebol pelas transmissões livres de censura.

Ao mesmo tempo, a forma como são colocadas as mulheres no futebol com as “Maria Chuteira” ou “travestis” que se relacionam com jogadores, nas reportagens, que não são também censuradas, só podem ter um reflexo nas histórias dos autores do livro.

O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular.

A utilização dos quadrinhos na sala de aula é confirmada por educadores como fonte importante para agregar valor de conteúdo educacional para o interesse da criança em várias matérias do currículo escolar. Isso foi conquistado depois de muita luta contra o preconceito que antes havia e que caiu por terra ao vermos em cada lar uma criança de cinco anos já se interessar por leitura quando vê revistas infantis na sua frente.

Apenas houve um equívoco na escolha pela faixa etária a que se destinava os livros e não uma publicação censurável como pode ter passado para o grande público.

Pedimos aos meios de comunicação que, sempre que houver algo tão importante como esse tema, também coloquem a opinião de uma pessoa especializada na área, que tenha algum conhecimento da linguagem em discussão.

José Alberto Lovetro (JAL)

Associação dos Cartunistas do Brasil - ACB

quinta-feira, 30 de abril de 2009

George Pratt

Vídeo sensacional do nosso grande George Pratt rabiscando e detonando.
Não conhece o trabalho dele? Então vá até o www.georgepratt.com.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Curso HQ Avançado - Ainda dá tempo!

O curso de HQ avançado começou ontem na Biblioteca Paulo Duarte (veja detalhes abaixo) mas as inscrições estão abertas por mais uma semana.

Podem ser feitas na biblioteca ou pelos tels: 5011 8819 ou 5011 7445, com a Ká

terça-feira, 10 de março de 2009

Curso HQ Avançado

Para quem já fez o curso de Fanzine vai ter um curso de HQ avançado, com 3 professores, na Biblioteca Paulo Duarte, ao lado do metrô Jabaquara - de grátis, claro, mas vagas limitadas.

Do dia 15 de abril, toda quarta-feira das 9h até 12h, até 8 de julho.

No primeiro dia leve um desenho ou HQ de sua autoria e uma carta dizendo porque quer fazer o curso.

Maiores informações nas bibliotecas onde fizeram os cursos nos anos anteriores, ou deixe sua pergunta aqui mesmo nos comentários, que responderemos assim que possível.

Abs!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Avenida Dropsie volta a São Paulo

A peça de teatro "Avenida Dropsie", inspirada na obra do quadrinista Will Eisner, está de volta ao teatro do Sesi, em São Paulo.
Montada pela Sutil Companhia de Teatro, esta produção será reencenada junto com mais duas peças premiadas em comemoração aos 15 anos de atividade do grupo.
Não percam!




.: Ficha Técnica :.

De Will Eisner
Direção Geral: Felipe Hirsch
Elenco: Andre Frateschi, Duda Mamberti, Erica Migon , Guilherme Weber , Jorge Emil, Leonardo Medeiros, Magali Biff e Maureen Miranda
Voz Will Eisner: Gianfrancesco Guarnieri
Cenografia: Daniela Thomas
Figurinos: Veronica Julian e Marichilene Artisevskis
Iluminação: Beto Bruel
Trilha Sonora Pesquisada: Felipe Hirsch e Guto Gevaerd



Informações

Local: Teatro do SESI – São Paulo - Av. Paulista, 1313 ( Metrô Trianon-Masp)

Temporada
5 de fevereiro a 1º de março -Quartas, quintas e domingos
11 a 15 de março - de quarta-feira a domingo
18 a 22 de março - de sexta-feira a domingo
25 de março a 5 de abril -de quarta-feira a domingo

Duração 110 minutos

Capacidade 456 lugares

Ingressos
De quinta-feira a domingo, R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Entrada Franca às quartas-feiras.

A distribuição dos ingressos tem início a partir da abertura da bilheteria no mesmo dia do evento - São distribuídos dois ingressos por pessoa. (Confira os horários da bilheteria)
Indicação Etária
espetáculo não recomendado para menores de 14 anos. Será permitida a entrada do menor somente acompanhado dos pais ou responsável legal após preenchimento de um termo de autorização.

Agendamentos
Escolas
Sessões às quartas-feiras: de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h, pelo telefone (11) 3146-7439.

Agendamentos
Indústrias Sessões às quartas-feiras: de segunda a sexta-feira, das 10h às 12h e das 14h às 17h, pelo telefone (11) 3146-7396.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Nobu Chinen ministra palestra no CCJ.


No dia 30 de janeiro acontece a palestra A Produção de Histórias em Quadrinhos no Brasil, no Centro Cultural da Juventude.

Palestra sobre a origem, evolução e estado atual da produção de histórias em quadrinhos no Brasil. Serão abordados os principais autores, personagens e editoras que marcaram a história do gênero no país com o que é de mais significativo em mais de 150 anos, desde o trabalho pioneiro do italiano Angelo Agostini, até a recente explosão do movimento independente.

Convidado: Nobuyoshi Chinen que é pesquisador de Hqs, membro do Observatório de Pesquisa em Quadrinhos da ECA-USP; co-autor de livros como Hentai: a sedução do Mangá (2005) e o Tico-Tico: Centenário da primeira revista em quadrinhos do Brasil. Nobuyoshi é também redator da coluna Vupt Vapt Pum da página especializada em HQ do jornal Valeparaibanos.

Dia 30. sexta as 15H. Na Biblioteca. 50 vagas. Inscrições abertas na recepção do CCJ

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Podcast Papo de Artista

novo podcast do colorista Rod Reis (Superman, Tropas Estelares, revista Dragonslayer), nesse épisódio #0 o assunto é começo de carreira: Papo de Artista

abs!